«All that is necessary for the triumph of evil is that good men do nothing» (Edmund Burke)

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quarta-feira, 16 de março de 2011

Energia verde


O sismo, seguido de Tsunami, que atingiu o Japão está a provocar o pânico nuclear. As explosões dos reactores na central de Fukushima podem originar uma verdadeira catástrofe, com consequências bem piores do que o próprio terramoto.

Foi necessário um incidente desta envergadura para que os chamados países nucleares, como a Alemanha, Rússia ou França tomassem medidas. Centrais nucleares vão ser encerradas, outras analisadas. Só na Europa são cerca de 160… Portugal não tem energia nuclear, mas um qualquer desastre em países vizinhos, como a Espanha (que conta com seis centrais nucleares e oito reactores) pode afectar-nos.

Esta é uma boa altura para enfatizar uma opinião que sempre tive. Uma das maiores, senão mesmo a mais importante, herança que o Governo Sócrates vai deixar ao povo português é a aposta nas energias verdes, com o novo investimento em barragens e, sobretudo, com a força das eólicas.

Hoje esta energia pode ainda ser muito cara, mas o tempo fará dela o futuro. E, pelo menos nisto, Portugal está na liderança mundial. O crédito tem de ser entregue a quem o tem e aqui ele pertence muito a Manuel Pinho, o ministro que se demitiu depois de apontar um ‘par de cornos’ ao deputado do PCP Bernardino Soares.

quinta-feira, 10 de março de 2011

A moção faz-de-conta


O BE lançou uma moção de censura ao Governo. Faz-de-conta que queria derrubar Sócrates. Na verdade, Francisco Louçã, o mais experiente dos políticos portugueses em actividade, tinha dois objectivos. Primeiro, ultrapassar o PCP, que andava a avisar que estava a estudar uma moção. Segundo, dizer que quer derrubar Sócrates mas, ao mesmo tempo, mantê-lo no Governo. Loucã cumpriu tudo aquilo a que se propôs. No entanto, nem sempre a soma de um mais um dá dois e desta vez o BE pode descontar os ganhos e perder pontos como, aliás, as sondagens já revelam. Isto porque os portugueses estão fartos do jogo do faz-de-conta e perceberam a jogada. Se ele queria derrubar Sócrates, precisava do apoio do PSD, precisamente o único partido que pode tirar o poder ao engenheiro. Ora como o próprio BE fez questão de incluir o PSD nas críticas da moção e como os seus dirigentes cedo fizeram saber que seria ridículo um apoio social-democrática à mesma, o resultado só podia ser um: mais um dia de parlamento a brincar ao faz-de-conta.

Além disso, se Sócrates caísse e Passos Coelho assumisse o Governo, qual seria a vantagem para as metas a que se propõe o BE?

Entretanto, e neste jogo, o PSD e o CDS usaram da abstenção, perpetuando o faz-de-conta. É que só estes dois partidos estão interessados em derrubar Sócrates, pois só estes têm aspirações de chegar ao poder. No entanto, com esta jogada, dificilmente terão o apoio futuro da esquerda numa nova moção. É que BE e PCP desta vez votaram a favor, mas será muito complicado apoiar uma iniciativa similar do outro extremo da bancada.

Enquanto se brinca ao faz-de-conta, Sócrates passa entre os pingos da chuva. Ele, realmente, é único que ganha com o jogo das moções e que não esconde a verdade (pelo menos neste aspecto): O Engenheiro quer manter-se no poder…É que Sócrates sabe que no dia em que o abandonar dificilmente lá voltara. A não ser, é verdade, que enquanto os políticos brincam ao faz-de-conta, o tempo dê ao engenheiro mais tempo, para que ele tenha alguns números que precisa para também poder continuar a brincar ao faz-de-conta.