O momento presente constitui também uma boa oportunidade para que possamos observar as manobras e os tacticismos dos diferentes partidos, numa altura em que a situação do País exige grande sentido de Estado.
Toda a oposição está desejosa de ver o Governo cair, de preferência num contexto em que Sócrates esteja definitivamente acabado do ponto de vista político (daí a estratégia de 'fritura lenta' do Executivo que o PSD adoptou). Porém, ninguém quer assumir o ónus de fazer cair o Governo, quiçá por receio de sofrer o mesmo destino do malogrado PRD, que desapareceu do mapa político após ter levado à queda do primeiro governo Cavaco, em 1987. Assim se explica que o próprio Bloco de Esquerda tenha dito ontem, através de um dos seus dirigentes, que a moção de censura tem apenas carácter simbólico. Uma lamentável falta de cojones, se me permitem a expressão, até porque o Sócrates de 2011 não é o Cavaco de 1987.
O Povo português merecia melhor: merecia um Governo que lhe dissesse a verdade e que prestasse esclarecimentos aos representantes eleitos da Nação (os 'debates' com o PM no Parlamento são meras gritarias e discussões rudes). Merecia também uma Oposição que assumisse as suas causas e objectivos sem receios de espantar o eleitorado. Se o PSD e o PP querem uma maioria absoluta, que assumam que vão fazer cair o Governo. Será que precisam de mais pretextos para justificar a saída do Executivo?
Quanto ao PCP e ao BE, teriam muito a ganhar com a queda do PS e com a instauração de uma maioria de direita. Com o PS fragilizado e 'eucaliptizado' por anos de socratismo, será fácil a estes partidos da extrema-esquerda ganharem lugares no Parlamento e um vasto espaço de manobra através de um clima de contestação permanente a um Governo de direita. O PCP e BE poderão fazer aquilo que fazem melhor: atacarem o Governo sem terem a responsabilidade de participar na governação.
«All that is necessary for the triumph of evil is that good men do nothing» (Edmund Burke)
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
A falácia da estabilidade II
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A falácia da estabilidade
Há pelo menos dois anos que o Governo fala repetidamente da necessidade de manter a "estabilidade" para corrigir os problemas do País. Mas este é um argumento enganador: é como se a estabilidade política fosse um fim em si mesma e não um mero meio para atingir um bem maior, que é o da boa governação de Portugal.
O argumento falacioso regressou à ordem do dia com a moção de censura que o BE anunciou esta semana. A este propósito é bom lembrar que as moções de censura são instrumentos legítimos no combate político em democracia. Se o Povo português quisesse que o PS voltasse a ter maioria absoluta tê-la-ia concedido através do voto nas últimas eleições. Ao negar-lhe essa maioria, o Povo abriu caminho ao derrube do Governo, bastando para tal que surja uma moção que una toda a Oposição contra o Executivo.
O País ficará pior se o Governo cair? Não creio.
O argumento falacioso regressou à ordem do dia com a moção de censura que o BE anunciou esta semana. A este propósito é bom lembrar que as moções de censura são instrumentos legítimos no combate político em democracia. Se o Povo português quisesse que o PS voltasse a ter maioria absoluta tê-la-ia concedido através do voto nas últimas eleições. Ao negar-lhe essa maioria, o Povo abriu caminho ao derrube do Governo, bastando para tal que surja uma moção que una toda a Oposição contra o Executivo.
O País ficará pior se o Governo cair? Não creio.
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