«All that is necessary for the triumph of evil is that good men do nothing» (Edmund Burke)

Mostrar mensagens com a etiqueta Deolinda. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Deolinda. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 11 de março de 2011

O reinado dos miguéis sousas tavares do burgo



Ando farto dos miguéis sousa tavares deste país! Alguma vez os miguéis de sousa tavares tiveram que enviar CV, na vã tentativa de obterem um emprego, em qualquer coisa deste burgo e nunca obtiveram qualquer resposta? Alguma vez, os miguéis sousa tavares concorreram, na vã tentativa, a um qualquer concurso da administração pública e verificaram que os mesmos são corrigidos a lápis! ou então, que se fundamentam na espantosa entrevista de selecção e constataram, no mesmo dia, que o lugar já estava preenchido pelos miguéis sousa tavares deste brugo! Alguma vez, os miguéis sousa tavares deste país trabalharam a recibos verdes, sem qualquer protecção social e foram, mais tarde, preteridos em nome de outros miguéis sousa tavares, que só por pura coincidência são filhos, amigos ou conhecidos do empregador que antes, a pretexto da crise, pagava ao jovem salários esclavagistas, mas que após contratarem os miguéis sousa tavares, como que por magia, a crise passa e os miguéis sousa tavares, colocados num qualquer lugar sem resposabilidade, mas cheio de direitos, passam a ganhar muito mais que o trabalhador que fora preterido em seu nome! Alguma vez os miguéis sousa tavares deste ajuntamento de pessoas, que alguns teimam chamar de país, tentaram lançar-se no empreendorismo e se viram confrontados, para além da falta de acesso ao crédito, com a burocracia, com a concorrência local, e sobretudo, desleal de quem tem negócios idênticos e tudo faz para que a erupção de concorrência seja pura e simplesmente abafada ou espezinhada em nome da manutenção de privilégios locais e nacionais! Alguma vez os miguéis sousa tavares deste rectângulo, beira-mar plantado, tiveram ou têm, na esperança de terem um futuro menos negro que os seus progenitores, de prolongar os seus estudos em licenciaturas; mestrados; especializações e doutoramentos, para constatarem que no fim do percurso e, após envio de dezenas, centenas ou milhares de CV, a resposta que, com alguma sorte, obtêm é, invariavelmente: “excesso de habilitações”; “falta de habilitações”; “sem experiência”. Entretanto, o tempo passa e o jovem, por via da “especialização” em enviar CV, outro trabalho não pode esperar que não o de carteiro e isto se houver vagas, porque os miguéis sousa tavares estão entretidos a serem doutores e engenheiros (cursos tirados enquanto meninos de bem e que outra coisa não fizeram, enquanto estudantes, senão a de andarem entretidos nas associações académicas com outros miguéis sousa Tavares) bem instalados, a comandar os carteiros deste país!!!

"Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos." (SALGUEIRO MAIA)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A Crise, o Futuro e os Parvos





«Sou da geração sem remuneração
E não me incomoda esta condição
Que parva que eu sou
Porque isto está mal e vai continuar
Já é uma sorte eu poder estagiar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar»

Esta música dos Deolinda está a ser adoptada como hino por toda uma geração de jovens licenciados condenados a uma vida de precariedade, insegurança e sonhos adiados. E não sem razão: os jovens portugueses têm cada vez mais dificuldade em entrar no mercado de trabalho e em conquistarem a sua independência.

Mas a que se deve esta dificuldade? À primeira vista, será ao facto de existir uma geração mais velha que alegadamente goza de todas as regalias do emprego 'seguro', tornando impossível às empresas apostarem nos jovens. Porém, a verdadeira origem do problema encontra-se a um patamar mais profundo e abrangente, consistindo no facto de a economia portuguesa não crescer o suficiente para manter o nosso actual estilo de vida e responder às aspirações dos mais novos. Aliás, a maior parte dos problemas do Portugal contemporâneo, desde o défice das contas públicas à pobreza encapotada em que muitos vivem, vêm dessa dificuldade em fazer o PIB crescer. Todos os outros problemas se poderiam resolver, havendo vontade e competência, se a economia crescesse.

E como fazer a economia crescer? Eu só conheço uma maneira: desburocratizar, desestatizar e despartidarizar. A solução não passa por mais Estado, pelo compadrio institucional a empresas do 'regime' ou por facilitismos. Passa antes por uma redução do peso do Estado na economia, pela privatização da maior parte das empresas públicas, por uma reforma profunda da Justiça e pela devolução, aos cidadãos, do direito a controlarem as suas vidas em áreas como a Saúde e a Educação. Será também necessária uma revisão das reis laborais, com mais flexibilidade mas ao mesmo tempo maior segurança (por exemplo, porque não adoptar a recente sugestão de Fernando Ulrich no sentido de aumentar o salário mínimo para 700 euros e em contrapartida facilitar o despedimento?).

E a solução para sair do pântano implica também um esforço acrescido por parte de cada um de nós: muitos dos jovens que se deixam emocionar pela letra dos Deolinda são recém licenciados que nem uma percentagem sabem calcular.