«All that is necessary for the triumph of evil is that good men do nothing» (Edmund Burke)

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segunda-feira, 14 de março de 2011

O diabo pode estar nos detalhes, mas Deus está no que é belo

Podemos rezar para pedir, agradecer ou louvar. E encontramos estes três aspectos no hino 'Gloria in excelsis Deo', que com os seus veneráveis 1.600 anos é um dos mais antigos da tradição cristã. Ouvi-lo com a música que Vivaldi lhe emprestou não deixa de ser, também, uma forma de orar.

O diabo pode estar nos detalhes, mas Deus está no que é belo:

(Post publicado também no Farpas)

terça-feira, 8 de março de 2011

É assim o Povo pah!

“É como se o Coelho da Madeira tivesse ganho as Presidenciais”. Foi o primeiro comentário que ouvi à vitória dos Homens da Luta no Festival da Canção. E parece que chovem interpretações de muitos comentadores sobre o que significa para o estado moral do País ter escolhido o Jel e o Falâncio para irem à Alemanha representar Portugal (Merkel que se cuide).


O Festival da Canção parece um espelho do País, de definhação gradual ano após ano. Ouvindo bem, e não sendo eu um melómano, a música da Luta é má, mas as outras candidatas não eram muito melhores. Aristóteles defendia que a encenação era externa ao enredo das histórias realmente importantes. Era um factor que não poderia ser o essencial de uma obra de arte. E o que se viu foi pouca substância com muitos factores externos à mistura, para ver se se disfarçava a coisa. Músicas más, letras postiças, sempre com um discurso de “mar”, “Descobrimentos”, “infante”. Como se fosse um festival de epopeias e as narrativas das músicas tivessem de passar por grandes feitos passados. Até por isso, mereciam ter mais qualidade para não afrontarem a nossa História.


São discursos vazios e nos quais os intérpretes realmente não acreditam. Hoje ninguém se deita preocupado se o Infante D. Henrique abriu uma escola em Sagres ou não. O vazio do discurso tende a ser compensado pela encenação. E o mesmo se passa na Política. Os discursos são vazios, não são genuínos e são folclore, para não terem de ser incisivos sobre o que realmente importa. O enredo é mau e tenta-se compensar isso com efeitos de cenografia. Com luzes, cenários espectaculares e músicas hollywoodescas a dar também para o épico.


São discursos vazios e nos quais os intérpretes realmente não acreditam. E o pior é que gradualmente o povo também vai deixando de acreditar, pah!!! Assim, não estranha que a inércia e o desleixo tanto no Festival da Canção como na Politica permita “sacrilégios” como os Homens da Luta ou o Coelho da Madeira, conseguidos por uma narrativa que satiriza os discursos postiços e sem substância. É assim o Povo, pah!.




quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A Crise, o Futuro e os Parvos





«Sou da geração sem remuneração
E não me incomoda esta condição
Que parva que eu sou
Porque isto está mal e vai continuar
Já é uma sorte eu poder estagiar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar»

Esta música dos Deolinda está a ser adoptada como hino por toda uma geração de jovens licenciados condenados a uma vida de precariedade, insegurança e sonhos adiados. E não sem razão: os jovens portugueses têm cada vez mais dificuldade em entrar no mercado de trabalho e em conquistarem a sua independência.

Mas a que se deve esta dificuldade? À primeira vista, será ao facto de existir uma geração mais velha que alegadamente goza de todas as regalias do emprego 'seguro', tornando impossível às empresas apostarem nos jovens. Porém, a verdadeira origem do problema encontra-se a um patamar mais profundo e abrangente, consistindo no facto de a economia portuguesa não crescer o suficiente para manter o nosso actual estilo de vida e responder às aspirações dos mais novos. Aliás, a maior parte dos problemas do Portugal contemporâneo, desde o défice das contas públicas à pobreza encapotada em que muitos vivem, vêm dessa dificuldade em fazer o PIB crescer. Todos os outros problemas se poderiam resolver, havendo vontade e competência, se a economia crescesse.

E como fazer a economia crescer? Eu só conheço uma maneira: desburocratizar, desestatizar e despartidarizar. A solução não passa por mais Estado, pelo compadrio institucional a empresas do 'regime' ou por facilitismos. Passa antes por uma redução do peso do Estado na economia, pela privatização da maior parte das empresas públicas, por uma reforma profunda da Justiça e pela devolução, aos cidadãos, do direito a controlarem as suas vidas em áreas como a Saúde e a Educação. Será também necessária uma revisão das reis laborais, com mais flexibilidade mas ao mesmo tempo maior segurança (por exemplo, porque não adoptar a recente sugestão de Fernando Ulrich no sentido de aumentar o salário mínimo para 700 euros e em contrapartida facilitar o despedimento?).

E a solução para sair do pântano implica também um esforço acrescido por parte de cada um de nós: muitos dos jovens que se deixam emocionar pela letra dos Deolinda são recém licenciados que nem uma percentagem sabem calcular.